DA TROCA DE MERCADORIAS AO SPLIT PAYMENT: A EVOLUÇÃO DOS MEIOS DE PAGAMENTO

Por Andre Farrath

A LC 214/2025 prevê o split payment como mecanismo de arrecadação e controle, alinhado ao princípio da neutralidade e ao combate à sonegação.

A história da humanidade também pode ser contada pela forma como as pessoas realizam seus pagamentos.

No início de tudo, não existia moeda. As relações comerciais aconteciam por meio do escambo. Quem possuía milho trocava por carne; quem produzia tecidos trocava por ferramentas. Era um sistema simples, mas dependia de que ambas as partes desejassem exatamente aquilo que a outra tinha para oferecer.

Com o crescimento das civilizações, surgiu o dinheiro em espécie. As moedas e, posteriormente, as cédulas revolucionaram o comércio, trazendo praticidade e valorizando o conceito de riqueza. Durante muitos anos, carregar dinheiro no bolso era algo comum. Empresas movimentavam grandes quantias em espécie, comerciantes faziam depósitos diários nos bancos e era normal ver pessoas transportando valores.

Entretanto, essa realidade trouxe um problema igualmente grande: a criminalidade. O famoso “batedor de carteira” tornou-se figura conhecida nos grandes centros urbanos. Assaltos a pessoas e a veículos que supostamente transportavam dinheiro eram frequentes. O criminoso sabia onde o dinheiro estava: dentro da carteira ou do cofre.

Com o avanço do sistema bancário, chegou a era dos cheques.

Durante décadas, possuir um talão de cheques representava status e credibilidade financeira. Quem tinha um bom limite de cheque especial era visto como alguém de grande poder econômico. Os pagamentos tornaram-se mais seguros, reduzindo a necessidade de transportar grandes quantias em dinheiro. O cheque dominou o comércio por muitos anos e marcou uma geração inteira.

Mas a tecnologia continuou evoluindo.

Vieram então os cartões de crédito e débito, transformando completamente a experiência de compra. As carteiras ficaram mais leves e as transações mais rápidas. Depois, os cartões deixaram de ser apenas um meio de pagamento e passaram a oferecer benefícios exclusivos: programas de pontos, milhas aéreas, seguros de viagem, cashback e até acesso às concorridas salas VIP dos aeroportos. O cartão passou a representar não apenas crédito, mas também conveniência e experiência.

Então chegou uma das maiores revoluções financeiras da história recente: o PIX.

Em poucos anos, ele mudou o comportamento dos brasileiros. Hoje, o dinheiro em espécie circula muito menos. Pequenos comerciantes, grandes empresas e consumidores passaram a realizar pagamentos instantâneos a qualquer hora do dia ou da noite.

Mas toda inovação também produz novos desafios.

Se antes o criminoso precisava estar fisicamente próximo da vítima para furtar uma carteira ou realizar um assalto, agora muitos golpes migraram para o ambiente digital. Os antigos batedores de carteira deram lugar aos golpistas especializados em engenharia social, perfis falsos, mensagens fraudulentas, links maliciosos, boletos falsificados e falsas centrais de atendimento. O crime também evoluiu.

A tecnologia trouxe segurança em muitos aspectos, mas também exigiu que a população aprendesse uma nova forma de proteção: a segurança digital.

Agora surge um novo capítulo dessa história: o Split Payment, previsto no contexto da reforma tributária brasileira.

A proposta consiste em fazer com que os tributos incidentes sobre a operação sejam automaticamente direcionados ao poder público no momento da liquidação do pagamento, reduzindo a inadimplência tributária e simplificando parte da arrecadação.

Entretanto, ainda existem importantes desafios operacionais que precisarão ser plenamente solucionados, especialmente em situações como cancelamentos de vendas, devoluções de mercadorias, estornos, descontos posteriores e outras ocorrências comuns na atividade empresarial. A forma definitiva como esses casos serão tratados dependerá da regulamentação e da implementação prática do sistema.

Diante dessas incertezas, algumas pessoas levantam uma hipótese curiosa: será que parte das operações voltará a utilizar dinheiro em espécie para evitar complexidades operacionais em determinadas situações?

É cedo para afirmar que isso acontecerá. A tendência mundial continua sendo a digitalização dos meios de pagamento. No entanto, toda mudança profunda gera um período de adaptação, e o comportamento do mercado dependerá da eficiência das novas regras e da confiança dos contribuintes no sistema.

A evolução dos meios de pagamento demonstra que cada avanço tecnológico resolve problemas do passado, mas também cria novos desafios. Saímos do escambo para as moedas, das moedas para os cheques, dos cheques para os cartões, dos cartões para o PIX e agora caminhamos para uma nova era de pagamentos inteligentes e arrecadação automatizada.

A história mostra que a tecnologia nunca para. O dinheiro muda de forma. Os meios de pagamento evoluem. Os desafios também.

E cabe à sociedade, às empresas e ao Estado encontrar o equilíbrio entre inovação, praticidade, segurança e liberdade econômica.

Talvez, daqui a alguns anos, olhemos para o dinheiro em papel da mesma forma que hoje olhamos para o escambo: como um importante capítulo da história, que abriu caminho para uma nova transformação.

UMA EMPRESA AFINADA COMO UMA BANDA DE MÚSICA

Por Andre Farrath 

“O sucesso de uma empresa não depende apenas de um grande líder. Depende de pessoas que decidiram tocar a mesma música, no mesmo ritmo e com o mesmo propósito.”

 Administrar uma empresa é muito parecido com reger uma grande banda de música.

Quando uma banda sobe ao palco, cada integrante conhece o seu papel. Há o percussionista que marca o ritmo, o baixista que sustenta a harmonia, os instrumentos de sopro que dão força à melodia e os demais músicos que, juntos, transformam notas isoladas em uma verdadeira obra de arte. Acima de todos está o maestro, responsável por coordenar cada movimento, orientar o tempo, manter a sintonia e conduzir o grupo para que o resultado seja perfeito. Ele não toca nenhum instrumento. Não canta. Não aparece mais do que os outros. Mas, quando levanta sua batuta, acontece algo extraordinário: dezenas de pessoas começam a agir como se fossem uma só.  Cada nota tem seu tempo. Cada instrumento sabe exatamente quando entrar e quando silenciar.

Assim também deve funcionar uma empresa.

O líder exerce o papel do maestro. Ele inspira, direciona, organiza e faz com que todos caminhem na mesma direção. Porém, por mais talentoso que seja o maestro, ele jamais conseguirá produzir uma bela apresentação se cada músico tocar apenas para si.

Em uma banda, basta que um único instrumento desafine para comprometer toda a apresentação. O público percebe imediatamente que algo não está em sintonia. Da mesma forma acontece dentro de uma empresa: quando um único setor deixa de cumprir sua missão, quando um colaborador perde o compromisso com a qualidade ou quando falta comunicação entre as equipes, toda a organização sente os reflexos.

Nenhum instrumento é mais importante que o outro. O som do triângulo, do violino, do trompete ou do tambor possui sua função específica. Retire apenas um deles e a música já não será a mesma.

Imagine o Trompete entrar na hora errada ou o prato bater fora do compasso e ritmo?

Nas empresas acontece exatamente igual.

Não existe cargo pequeno. Não existe função sem importância. Desde o colaborador que ocupa o primeiro degrau da organização até o executivo do mais alto salário, todos fazem parte da mesma composição. Cada profissional contribui para o resultado final, e o sucesso da empresa depende da dedicação, do respeito e do compromisso de cada um.

Uma organização vencedora é aquela em que todos trabalham em harmonia, entendendo que o sucesso individual só faz sentido quando fortalece o sucesso coletivo.

Uma banda bem ensaiada transmite emoção, disciplina, respeito e união. Uma empresa que adota esses mesmos princípios conquista clientes, cresce de forma sustentável e constrói uma reputação sólida.

Que cada colaborador seja como um músico comprometido com a excelência, e que cada líder seja um maestro capaz de inspirar, orientar e valorizar todas as pessoas da sua equipe.

Porque, no fim das contas, o espetáculo não é feito por um único talento.

Ele é construído pela harmonia de todos.

Assim como uma grande banda encanta o público quando todos tocam em perfeita sintonia, uma grande empresa alcança resultados extraordinários quando cada pessoa entende que faz parte da mesma música, do mesmo propósito e da mesma missão. Sendo assim o melhor maestro do mundo jamais conseguirá fazer uma grande apresentação se os músicos não estiverem comprometidos.

Trocando em miúdos:

Uma empresa pode ter excelentes máquinas, tecnologia de ponta e grandes investimentos. Mas são as pessoas, trabalhando em harmonia, que transformam trabalho em excelência e sonhos em resultados.

A CULPA NÃO É SUA, MAS O PROBLEMA É…

Por Adolpho Portes e Andre Farrath

Num time de rendimento alto não existe o termo: “Isto não é comigo”.

Se o processo encravar e o cliente sair sem resposta a falha é de todo o time. Isto compromete toda a engrenagem da máquina.

Apontar culpado consome energia por demais, pois quando você transfere a responsabilidade você alivia o fardo do problema momentaneamente, mas estagna totalmente o crescimento.

Quando um colega assume o problema do outro, ele não só ajuda, mas protege a missão e demonstra o forte espírito de colaboração e altruísmo.

– Isto tem um nome: Chama coleguismo. Este coleguismo fortalece toda a equipe.

Na seleção brasileira ninguém fala: 2×1 para o Neymar, ou 1×0 para Ronaldinho, ou 3×0 para o Pelé – É sempre 2×0 para o Brasil, ou o Brasil perdeu de 2×0.

A imagem sempre será – Quem ganha é o time, quem perde é o time.

O cliente não quer saber quem errou ele quer o resultado. O cliente quer resultado rápido. A demora gera frustação, ansiedade e tira a sensação de controle. Ninguém tolera fila de espera. A agilidade é a chave para a fidelização e retenção da peça maior que é o cliente.

Educação financeira: A riqueza começa pelas escolhas

Por André Farrath

Educação financeira não significa apenas aprender a economizar dinheiro. Significa desenvolver a capacidade de tomar decisões conscientes sobre como ganhar, gastar, investir e construir patrimônio ao longo da vida.

Infelizmente, muitas pessoas acreditam que a solução para seus problemas financeiros está em um grande golpe de sorte. É por isso que famílias de menor renda costumam destinar uma parcela proporcionalmente maior de seus ganhos às apostas em loterias e jogos de azar.

Há uma frase que resume bem esse fenômeno:

“A loteria vende esperança barata para quem mais precisa de oportunidades reais.”

Sob a ótica econômica, muitos especialistas consideram que a loteria funciona como uma espécie de “imposto voluntário”, pois arrecada recursos principalmente da população de menor renda, alimentando o sonho de um enriquecimento imediato. Em outras palavras, vende-se a fantasia de uma mudança instantânea de vida, quando a verdadeira transformação costuma depender de educação, trabalho, planejamento e disciplina financeira.

Estudos mostram que os 20% mais pobres da população chegam a gastar, em média, cerca de 13% de sua renda com apostas, enquanto os 20% mais ricos destinam aproximadamente 1% de sua renda a esse tipo de despesa. Isso demonstra que justamente quem possui menos recursos acaba comprometendo uma parcela muito maior do orçamento com uma probabilidade extremamente pequena de retorno.

Outro ponto pouco conhecido é que ganhar dinheiro não significa saber administrá-lo. Diversos levantamentos internacionais apontam que uma parcela significativa dos ganhadores de grandes prêmios enfrenta graves dificuldades financeiras poucos anos depois. Algumas pesquisas indicam que até cerca de 70% dos vencedores de grandes loterias acabam enfrentando problemas financeiros ou mesmo insolvência em determinado momento, principalmente pela falta de planejamento, excesso de gastos, investimentos inadequados e pressão familiar e social. O percentual exato varia conforme o estudo e o país, mas a conclusão é praticamente unânime: riqueza sem educação financeira raramente é sustentável.

A verdadeira independência financeira não nasce de um bilhete premiado. Ela é construída por meio de hábitos consistentes:

  • gastar menos do que se ganha;
  • formar uma reserva de emergência;
  • investir regularmente;
  • evitar dívidas desnecessárias;
  • buscar conhecimento financeiro continuamente.

A maior riqueza não é ganhar milhões de uma única vez. É desenvolver a capacidade de fazer o dinheiro trabalhar a seu favor durante toda a vida.

Quem aposta na sorte depende do acaso. Quem investe em educação financeira passa a depender das próprias decisões.

A educação financeira transforma sonhos em objetivos, objetivos em planejamento e planejamento em patrimônio. Essa é a diferença entre esperar que a vida mude e construir, dia após dia, um futuro financeiramente sólido.

RECEITA FEDERAL CRUZA DADOS

Por: Andre Farrath

A Receita Federal está cada dia mais estruturada e com um aparato fenomenal para cruzar e analisar a vida do cidadão.

O crescente nível de sofisticação dos mecanismos de fiscalização utilizados pela Receita Federal do Brasil é de assustar. Atualmente, o órgão dispõe de sistemas altamente especializados para o cruzamento de informações provenientes de diversas fontes, incluindo transações imobiliárias, movimentações bancárias, aquisição de veículos novos, declarações de rendimentos, recibos médicos e receitas de aluguéis. Além disso, há monitoramento de dados públicos e digitais, inclusive informações disponibilizadas em redes sociais, com o objetivo de identificar sinais de evolução patrimonial ou padrão de vida incompatíveis com os rendimentos declarados.

Diante desse cenário, reforçamos a importância de manter total conformidade fiscal, garantindo que todas as informações prestadas sejam completas, coerentes e devidamente comprovadas por documentação hábil e idônea. Inconsistências podem resultar em autuações, multas, penalidades e até mesmo implicações legais mais severas.

Recomendamos especial atenção aos seguintes pontos:

  • Declaração correta de rendimentos, inclusive aluguéis;
  • Compatibilidade entre movimentação financeira e renda declarada;
  • Regularidade na emissão e guarda de recibos médicos;
  • Registro adequado de aquisição de bens, como imóveis e veículos;
  • Cautela com exposição de patrimônio em redes sociais.

Dados BANCÁRIOS

  • e-Financeira: relata movimentações bancárias, depósitos, aplicações e rendimentos acima de determinados limites ALEM DE AQUISIÇÃO DE VEICULOS que foi substituída pela DIMOF
  • IX e Transferências: Monitoramento de altos volumes de transferências bancárias, alertando para omissão de rendimentos
  • DECRED: Informações enviadas pelas administradoras de cartão de crédito sobre compras e pagamentos.
  • Criptoativos: Instrução Normativa 1.888/2019 obriga exchanges a informarem operações com criptomoedas

Dados Imobiliários e Patrimoniais

  • DIMOB: Declaração de Imobiliárias e Administradoras de Imóveis (aluguéis, compra e venda)
  • DOI (Declaração de Operações Imobiliárias): Emitida pelos Cartórios de Notas sobre compra, venda ou transferência de imóveis
  • CIB (Cadastro Imobiliário Brasileiro): Novo “CPF dos Imóveis” que rastreia aluguéis e transferências de bens

Dados Fiscais, Médicos e Previdenciários

  • DMED: Declaração de Serviços Médicos e de Saúde, cruzando consultas e tratamentos informados por médicos/hospitais
  • DIRF: Declaração do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (pagamentos de salários, serviços PJ, etc.)
  • EFD-Reinf: Informações de serviços tomados ou prestados, retenções de IR, CSLL, PIS/COFINS, etc. ( ESTA FERRAMENTA É UMA MÁQUINA DE CRUZAR  aquisição de veículos de concessionárias  e DETRAM
  • Carnê-Leão: Recebimentos de aluguéis e trabalho autônomo, essenciais para quem recebe de pessoa física ( Receita está de antena ligada em alugueis )
  • Planos de Saúde: Informações enviadas pelas operadoras.

Outras Fontes

  • Notas Fiscais Eletrônicas (NF-e/NFS-e): Cruzamento direto com CNPJs contratados.
  • Redes Sociais: Podem ser usadas em investigações de incompatibilidade patrimonial (sinais de riqueza)

Milionários e seus quadros

Por André Farrath

A arte, há muito tempo, deixou de ser apenas contemplação estética para ocupar um espaço estratégico no mundo financeiro. Para milionários e grandes investidores, quadros e obras de arte funcionam como verdadeiros ativos — muitas vezes mais sofisticados do que aplicações tradicionais.

Não se trata apenas de beleza ou da capacidade de emocionar. Muitas vezes, estamos diante de pinturas abstratas que fogem à compreensão imediata do público comum. Ainda assim, essas obras alcançam valores milionários. Por quê? Porque o alto luxo une três fatores poderosos: investimento, status social e estratégia patrimonial.

Diferentemente do dinheiro parado, que sofre corrosão constante da inflação, obras de artistas renomados tendem a se valorizar ao longo do tempo. A arte passa, então, a ser vista como um ativo alternativo, capaz de proteger o patrimônio e diversificar investimentos de forma inteligente.

Além disso, colecionadores utilizam suas obras como garantia para obtenção de crédito com condições atrativas. Esse mecanismo permite acesso à liquidez sem a necessidade de venda do ativo — o que, em muitos casos, evita a incidência imediata de tributos sobre ganho de capital.

Outro ponto relevante está no planejamento tributário. Grandes fortunas utilizam a arte como ferramenta estratégica dentro de uma engenharia contábil sofisticada. Em muitos casos, o investidor aguarda a valorização da obra e, posteriormente, realiza sua doação a museus ou instituições culturais. Dependendo da legislação aplicável, isso pode gerar deduções fiscais expressivas. Não se trata de irregularidade, mas de conhecimento técnico aliado a planejamento.

Um exemplo emblemático dessa dinâmica ocorre em Genebra, na Suíça, onde existem os chamados “freeports” — armazéns alfandegários especiais. Nesses locais, obras de arte podem ser armazenadas sem que haja incidência imediata de impostos de importação. Curiosamente, essas obras podem ser negociadas diversas vezes sem sequer sair do local físico, o que evidencia o nível de sofisticação desse mercado.

Ainda assim, é fundamental destacar: por trás de toda essa engrenagem financeira, existem artistas, história, originalidade e cultura. O valor de uma obra não está apenas no seu preço, mas em sua raridade, na identidade de quem a produziu e no contexto em que foi criada.

A arte continua sendo expressão humana — mas, nas mãos certas, também se transforma em uma das mais elegantes formas de preservar, multiplicar e proteger riqueza.

A Importância da Implantação do ESG para Empresas e Produtores de Café

Por Andre Farrath 

Nos últimos anos, o conceito de ESG – Environmental, Social and Governance (Ambiental, Social e Governança) deixou de ser apenas uma tendência global e passou a ser um requisito fundamental para a sustentabilidade e competitividade das empresas.

Adotar práticas ESG significa incorporar, no dia a dia dos negócios, políticas que busquem:

  • E (Ambiental): reduzir impactos ambientais, preservar recursos naturais, incentivar energia limpa, manejo sustentável e reduzir a emissão de carbono.
  • S (Social): valorizar as pessoas, garantir boas condições de trabalho, investir em comunidades locais e promover diversidade e inclusão.
  • G (Governança): adotar transparência, ética nos processos de gestão, responsabilidade fiscal e respeito às normas.

Para as empresas, os benefícios são claros: fortalecimento da reputação, maior atratividade para investidores, acesso a crédito com condições diferenciadas e mais confiança do mercado e dos clientes.

No caso específico dos produtores de café, a implantação do ESG representa ainda mais valor. O mercado internacional está cada vez mais exigente, e grandes compradores priorizam fornecedores que comprovem práticas sustentáveis e socialmente responsáveis. Um café produzido com respeito ao meio ambiente, às pessoas e com boa governança não apenas conquista certificações importantes, mas também alcança mercados premium, gerando mais rentabilidade e reconhecimento.

O Mundo virando

Por André Farrath

Veja bem… A cada dia o mundo acorda com alguma moda nova, um aplicativo novo, um comportamento importado ou reinventado. E o mais curioso: ninguém nos pergunta se gostamos ou não. Simplesmente enfiam tudo goela abaixo – e ainda acham que estamos obrigados a achar bom.

Veja o PIX. Começou de mansinho, como quem não quer nada, e em 2024 já passou dos 60 bilhões de transações. Isso mesmo, bilhões. As operadoras de cartão de crédito estão em pânico, vendo seu reinado escorrer por entre os dedos digitais. E quem diria que um código de QR substituiria a velha maquininha de “inserir o chip”?

Mas não para por aí. Já reparou na moda dos jogadores de futebol? Se não bastasse a tatuagem do cotovelo ao tornozelo e o cabelo sempre “na régua”, agora enfaixam o braço com esparadrapo como se fossem entrar em campo direto do Pronto-Socorro. E têm mania de levantar o short também. Vai entender… É futebol ou desfile de moda hospitalar?

Aliás, falando em desfile: a academia virou passarela. Academia, que antes era recomendada por médicos e fisioterapeutas, agora é território fashion. Roupa colada, garrafinha de água importada, shake vegano, tripé para selfie e um ritual meticuloso de fotos no espelho. A galera sua na maquiagem e posta no Instagram antes mesmo de aquecer. É quase um baile funk com halteres: “ela não anda, ela desfila. Ela é top capa de revista …”.

E por falar em desfile, que coisa é essa de levar copo pro bar? É a moda do “cada um com seu Stanley”. O bar virou extensão da cozinha. E a febre dos copos chegou até à missa. Outro dia, uma senhora pediu água no meio da homilia. Hidratada com fé. E no escritório então? É caneca pra todo lado: de chá, de café, de água… Vi até um gato em cima da mesa do Fernando Gabeira na GloboPlay. É o novo normal: home office com felino de companhia.

Agora… quem nunca teve uma boneca de pano, uma Susi ou uma Barbie? Hoje, a febre é o tal do Bebê Reborn. Boneco “terapêutico” que custa até 15 mil reais. Isso mesmo. Quinze mil. Tem gente que compra um boneco desses e depois quer atendimento no SUS. E pensar que a gente brincava com boneca de plástico e fazia comidinha com terra e folha de goiabeira… Vai entender. As crianças brincavam de boneca para relaxar e dar sossego as mães, agora os adultos com TDH relaxam com as mesmas bonecas, porém mais caras.  Fofão alguém lembra? O boneco maldito. Segundo a lenda urbana, havia um punhal preto dentro do boneco e que a pessoa que fazia o personagem teria feito pacto com Diabo. 

E a moda da calça rasgada, então? Ganhou força. A famosa “pega frango” agora vai com sapato social e gravata. É o estilo “Didi Mocó Executiva Fashion Week”. A cueca aparece por cima da calça e a calça parece querer escapar pelas pernas. Funk, rap e passarela do absurdo. Não podemos criticar o cantor Falcão da música “I’m not dog no For live so humble”.

Por fim, veja bem: cadê a mão de obra? Sumiu ou estão pagando pouco? Está faltando vaqueiro, pedreiro, contador, médico, advogado, apanhador de café… É um apagão de trabalhadores. E o mais curioso são as novas estratégias trabalhistas: um cliente da Ética Contábil me contou que o empregado pagou para ser demitido. Isso mesmo. Deu 10% do FGTS ao patrão e garantiu o seguro-desemprego. Virou parceria informal. Se a moda pega, adeus carteira assinada e olá FGTS dividido. Antes todos queriam emprego, hoje todos correm do emprego – sei lá.

Nunca se viu tanto atestado médico por “motivos emocionais”. A CID virou clube social. É depressão, é ansiedade, é burnout… Tudo junto, misturado e atestado.

Bruno Henrique, o Café de R$ 3.000,00 a Saca e a Vida que Não Para

Por Andre Farrath

No mundo do futebol, as apostas — aquelas BETs que antes eram coisa de torcedor de bar — agora se tornaram uma realidade palpável. Não dá mais para ignorar que o jogo virou, e que conviver com esse modelo de apostas virou parte do cotidiano. E, nesse cenário, Bruno Henrique, craque do Flamengo, virou alvo de críticas nas redes sociais. Acusado de tomar cartão amarelo para favorecer parentes na banca de aposta, mesmo com um salário que muitos consideram milionário. Mas, convenhamos, por dinheiro, ele não precisou passar por essa armadilha. Quem ganha 2 milhões de reais por mês, sabe que a tentação de se meter em encrenca assim é quase zero.

A questão é que, além do talento em campo, os jogadores precisam de algo mais: educação financeira, saúde mental, um pouco de orientação para a vida. Os clubes, que muitas vezes parecem focados apenas na vitória do próximo jogo, deveriam buscar profissionais como contadores e psicólogos. Afinal, o que se espera é que esses atletas tenham moral, civismo e uma consciência clara de que, além deles, há uma equipe, uma família, uma comunidade que depende do sucesso de sua carreira.

O jogador que vem de uma origem humilde, muitas vezes, precisa de mais do que treinos e táticas — precisa de orientação, de exemplos, de uma educação que vá além das quatro linhas.

E falando em mudanças inesperadas, vamos falar do café. Ah, o café! Aquele produto que move a vida de muita gente na região do Caparaó. Pois é, ele explodiu de preço. Uma saca de 60kg, que antes custava R$ 1.000,00, agora chega a R$ 3.000,00. Um boom que ninguém previu, uma surpresa que deixa o produtor de cabelo em pé. E o que fazer com esses valores tão altos? Aprender a conviver, claro. Educação financeira e saúde mental também entram nessa equação.

O café é um produto bianual, ou seja, sua produção tem ciclos, e o custo não é brincadeira. Com impostos subindo, o apelo às compras fúteis aumentando, a ostentação se tornando uma tendência, o produtor acaba atolado em dívidas, pedindo renegociação no Banco do Brasil. E aí, mais uma vez, a solução está na conversa, no debate, na troca de ideias.

Palestras, reuniões, debates — tudo isso deve ter como pauta principal a “Educação Financeira”. Porque, no fim das contas, seja no futebol ou na lavoura, o que precisamos é aprender a cuidar do que é nosso, com responsabilidade e consciência. Assim, a vida fica mais leve, mais justa, mais sustentável.

No final das contas, a vida é uma grande escola. E cabe a cada um de nós aprender, evoluir e se adaptar. Assim, podemos transformar desafios em oportunidades, crises em aprendizados, e sonhos em realidade.

Porque, como diz o ditado, quem planta com responsabilidade colhe com satisfação. E, nesse mundo de mudanças constantes, essa é a melhor lição que podemos levar adiante.

O Fantasma Chamado Sucessor

Por Andre Farrath

Fazer sucessor não é tarefa das mais fáceis. É como tentar desvendar um mistério antigo, onde cada detalhe pode ser decisivo. Estudos mostram que apenas 36% das empresas sobrevivem à chegada da segunda geração; na terceira, esse número cai para 19%. Quarta geração? Apenas 7%. E, surpreendentemente, só 5% alcançam a quinta. Uma verdadeira saga de resistência e esperança.

A geração de sucessores é uma tarefa dificílima, quase uma travessia no escuro. E manter o legado, então, parece uma missão ainda mais árdua. Vivemos tempos de internet, onde tudo que se posta parece perfeito, lindo, maravilhoso. Mas, na verdade, a qualidade do empreendedorismo, muitas vezes, se perde nesse mar de aparências.

São tantos obstáculos: aceitar o “novo” sem medo, resistir ao impulso de se apegar ao passado, compreender a diversidade de um planeta que se revela cada dia mais plural, e, acima de tudo, não deixar que o dinheiro seja o único foco. As metodologias evoluem, os tempos mudam, e aquilo que era considerado inovador ontem, hoje já virou passado. E, muitas vezes, o choque cultural entre gerações acaba sendo um fantasma que assombra a sucessão.

Escolher o melhor candidato, sem ferir egos ou criar conflitos familiares, é uma tarefa delicada. E quando esses conflitos não são bem administrados, podem se transformar em feridas profundas, capazes de minar a própria estrutura do negócio. O fim, muitas vezes, é uma questão de tempo.

A governança corporativa, que muitos ainda veem como algo exclusivo das grandes empresas ou das listadas em bolsa, é, na verdade, uma ferramenta acessível a qualquer tamanho de negócio. Uma estrutura clara, simples, bem definida, é como um farol na neblina — orienta, evita crises e mantém a saúde da empresa em dia. Afinal, uma boa governança é o melhor remédio para evitar que o negócio vá parar na UTI financeira.

No fim das contas, o sucessor é um fantasma que assombra e encanta. Um desafio que exige coragem, sabedoria e, sobretudo, respeito pelo legado que se quer preservar — ou reinventar. Porque, no fundo, toda sucessão é uma história de esperança, de renovação e de coragem para seguir adiante, mesmo quando o caminho parece escuro e incerto.