Por André Farrath
Veja bem… A cada dia o mundo acorda com alguma moda nova, um aplicativo novo, um comportamento importado ou reinventado. E o mais curioso: ninguém nos pergunta se gostamos ou não. Simplesmente enfiam tudo goela abaixo – e ainda acham que estamos obrigados a achar bom.
Veja o PIX. Começou de mansinho, como quem não quer nada, e em 2024 já passou dos 60 bilhões de transações. Isso mesmo, bilhões. As operadoras de cartão de crédito estão em pânico, vendo seu reinado escorrer por entre os dedos digitais. E quem diria que um código de QR substituiria a velha maquininha de “inserir o chip”?
Mas não para por aí. Já reparou na moda dos jogadores de futebol? Se não bastasse a tatuagem do cotovelo ao tornozelo e o cabelo sempre “na régua”, agora enfaixam o braço com esparadrapo como se fossem entrar em campo direto do Pronto-Socorro. E têm mania de levantar o short também. Vai entender… É futebol ou desfile de moda hospitalar?
Aliás, falando em desfile: a academia virou passarela. Academia, que antes era recomendada por médicos e fisioterapeutas, agora é território fashion. Roupa colada, garrafinha de água importada, shake vegano, tripé para selfie e um ritual meticuloso de fotos no espelho. A galera sua na maquiagem e posta no Instagram antes mesmo de aquecer. É quase um baile funk com halteres: “ela não anda, ela desfila. Ela é top capa de revista …”.
E por falar em desfile, que coisa é essa de levar copo pro bar? É a moda do “cada um com seu Stanley”. O bar virou extensão da cozinha. E a febre dos copos chegou até à missa. Outro dia, uma senhora pediu água no meio da homilia. Hidratada com fé. E no escritório então? É caneca pra todo lado: de chá, de café, de água… Vi até um gato em cima da mesa do Fernando Gabeira na GloboPlay. É o novo normal: home office com felino de companhia.
Agora… quem nunca teve uma boneca de pano, uma Susi ou uma Barbie? Hoje, a febre é o tal do Bebê Reborn. Boneco “terapêutico” que custa até 15 mil reais. Isso mesmo. Quinze mil. Tem gente que compra um boneco desses e depois quer atendimento no SUS. E pensar que a gente brincava com boneca de plástico e fazia comidinha com terra e folha de goiabeira… Vai entender. As crianças brincavam de boneca para relaxar e dar sossego as mães, agora os adultos com TDH relaxam com as mesmas bonecas, porém mais caras. Fofão alguém lembra? O boneco maldito. Segundo a lenda urbana, havia um punhal preto dentro do boneco e que a pessoa que fazia o personagem teria feito pacto com Diabo.
E a moda da calça rasgada, então? Ganhou força. A famosa “pega frango” agora vai com sapato social e gravata. É o estilo “Didi Mocó Executiva Fashion Week”. A cueca aparece por cima da calça e a calça parece querer escapar pelas pernas. Funk, rap e passarela do absurdo. Não podemos criticar o cantor Falcão da música “I’m not dog no For live so humble”.
Por fim, veja bem: cadê a mão de obra? Sumiu ou estão pagando pouco? Está faltando vaqueiro, pedreiro, contador, médico, advogado, apanhador de café… É um apagão de trabalhadores. E o mais curioso são as novas estratégias trabalhistas: um cliente da Ética Contábil me contou que o empregado pagou para ser demitido. Isso mesmo. Deu 10% do FGTS ao patrão e garantiu o seguro-desemprego. Virou parceria informal. Se a moda pega, adeus carteira assinada e olá FGTS dividido. Antes todos queriam emprego, hoje todos correm do emprego – sei lá.
Nunca se viu tanto atestado médico por “motivos emocionais”. A CID virou clube social. É depressão, é ansiedade, é burnout… Tudo junto, misturado e atestado.
