Por André Farrath

Nos últimos tempos, uma nova figura surgiu com força na internet: o influencer digital. Mais do que uma profissão, tornou-se um estilo de vida, com milhões de seguidores e, claro, uma infinidade de curtidas em publicações, muitas vezes, banais. É impressionante como simples momentos cotidianos, como atravessar a rua com o cachorro, podem alcançar 5 milhões de curtidas. A popularidade, hoje, parece não depender de grandes feitos, mas de um instante viral.

Essa realidade me deixa inquieto. Estamos nos afastando da leitura, da escrita e, mais grave ainda, do conhecimento. Aqueles que, por vezes, abandonam o banco da escola para se lançar no mundo dos conteúdos digitais, não se dão conta de que a própria internet que utilizam – essa ferramenta extraordinária – é resultado de décadas de estudos intensos nas mais diversas áreas do saber: matemática, física, biologia, engenharia e química.

É preciso refletir sobre o caminho percorrido até chegarmos aqui. Para que hoje possamos ter carros que estacionam sozinhos, celulares que tiram fotos com precisão milimétrica, médicos que operam à distância, ou drones que entregam pizzas com a agilidade de um beija-flor, houve uma dedicação imensa de cientistas, engenheiros e inovadores, que passaram noites em claro, buscando soluções para o impossível. São anos de pesquisa para que a tecnologia evoluísse da forma como conhecemos.

No entanto, a realidade não é só de progresso. O lado sombrio também está presente. Surgiram, entre outros fenômenos, os “Tigrinhos” e as apostas digitais, como as da famosa BET, além das criptomoedas. A matemática do impossível, que promete grandes lucros a partir de cálculos que muitos nem entendem, gerou bolhas que, como sempre, acabam por estourar. Esse jogo da confiança cega tem levado muitas pessoas a perderem tudo, e, em alguns casos, até a vida.

E é nesse contexto que surge um alerta: “Quando o desejo de enriquecer rápido surge, o cérebro humano desliga seus mecanismos de defesa.” Vivemos numa era onde a busca pelo sucesso fácil e rápido se tornou um vício. Mas, como todo vício, a ilusão de riquezas instantâneas está repleta de armadilhas.

Na busca incessante por likes, curtidas e popularidade, corremos o risco de nos perder na superficialidade e nos afastarmos do que realmente importa: o aprendizado, o desenvolvimento intelectual e o cultivo do conhecimento. Fica o aviso, portanto, para que, mesmo na era dos influencers e da inteligência artificial, não percamos o valor da leitura, da reflexão e da educação.

Fica a dica.

Imagem de freepik

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